Uma chamada para a polícia sem sentido...
As coisas já estavam fodidas desde o começo. Uma mulher chamada Carol liga para a polícia alegando que tem alguém na casa dela. Vamos até lá investigar, vasculhamos o lugar centímetro por centímetro, não encontramos nada.
Geralmente, isso é facilmente explicado. A mente de uma pessoa idosa que mora sozinha começa a deteriorar. O começo da demência e outras doenças mentais começao a dar as primeiras badaladas em nossa vida. Bem triste, na verdade. Entretanto, essa mulher tem apenas 24 anos de idade. Em outras palavras, as probabilidades disso ser coisa da cabeça dela era bem improvável. E parecia estar extremamente perturbada por toda essa situação. Porque mentiria?
Fomos embora e falamos para que entrasse em contato conosco caso visse mais alguma coisa. Quero dizer, não podíamos fazer nada naquele momento. Ficamos surpresos quando recebemos outra ligação de Carol no dia seguinte. Dirigimos até lá e vasculhamos a casa de novo. Não encontramos nada... novamente. O problema era... a casa parecia diferente dessa vez. Quase como se houvessem detalhes sutis que fizessem-na distinguir do lugar no dia anterior. Meu parceiro - Beck, disse que notou isso também, mas não conseguia definir o que era.
Decidimos não comentar sobre isso quando falamos que não havíamos encontrado nada . Entretanto, pediu para que ficássemos. "Eu o gravei", falou,
Tirou o celular do bolso e pediu para vermos o vídeo que tinha feito. Era uma filmagem de sua casa. Está correndo pelos cômodos, respirando freneticamente. E então o vimos. Uma figura humana enorme, coberto dos pés a cabeça no que parecia ser um macacão todo preto. Se move lenta e pesadamente em direção a câmera enquanto Carol grita e se enfia no quarto, tranando a porta por dentro. Ele bate algumas vezes nada porta antes de ouvirmos passos se afastando.
Não sabemos como reagir àquela filmagem, mas tentamos. Chegamos a conclusão de que o homem deve ter ido embora assim que Carol de trancou no quarto. Entretanto, a porta da frente estava trancada quando chegamos, e Carol falou que não tinha saído do quarto. Talvez ele também tinha as chaves da casa? Isso explicaria bastante, mas também piorava muito a situação.
Decidimos ficar cuidando da casa durante aquela noite. Fomos discretos, estacionando em uma rua de distância, com um carro disfarçado. Nós dois estávamos totalmente acordados, prontos para partir caso víssemos qualquer coisa.
Por volta das duas da manhã, vimos alguém andando na estrada, em direção da casa. Entretanto, não é um homem. É a própria Carol. Beck e eu devíamos estar com a mesma expressão no rosto. "QUE MERDA É ESSA?"
Saímos do carro e fomos até lá, batendo forte na porta. Entretanto, ninguém atendeu, Podíamos ver luzes ligando e desligando intermitente, mas não tínhamos certeza o que isso significava. Ela queria que fossemos embora?
Recebemos uma ligação da delegacia. Disseram que Carol tinha ligado de novo, dizendo que gabiam diversas pessoas na casa agora. Perguntaram se precisávamos de reforços. Respondendo que sim.
Sem outro momento de hesitação, forçamos a porta e entramos. As luzes da sala ainda acendiam e apagavam, mas vimos que não havia ninguém mexendo nos interruptores. Chamamos por Carol, mas ninguém respondeu. Na verdade, o lugar era totalmente silencioso. Pude ver as casas vizinhas começando a ligar suas luzes por causa da comoção. Subimos as escadas correndo e começamos a vasculhar cada quarto. Mas não havia nada. Mais uma vez, vasculhamos o lugar centímetro por centímetro, mas não tinha nada lá, nem mesmo a própria Carol, que tínhamos claramente visto-a entrar na casa momentos antes.
Enquanto eu vagava pelo local totalmente confuso, Beck falou: "Tem um quarto aqui que não deveria estar aqui."
"Mas como assim?" Perguntei
"Eu tenho mantido conta," falou. "Haviam somente nove quartos na última vez que viemos aqui. Agora são dez. Você não notou?"
Me esforcei para lembrar. Subconscientemente, eu sabia que tinha algo errado, mas mão conseguia colocar meu dedo no que era. Entretanto, logo percebi.
"O porão. Havia apenas uma porta que levava para o porão na última vez."
Beck assentiu. "São duas, agora."
Eu não sabia o que pensar. Olhei em volta tentando entender como aquilo era possível, mas não havia uma resposta ali.
Ouvimos uma batida na porta cerca de dez segundos depois. Parecia agitado. Olhamos pela janela da sala, mas não fomos agraciados com as luzes azuis e vermelhas da polícia. Ficamos hesitantes de atender, claro. Decidi dar um passo à frente, mas Beck me puxou.
Olhou pra mim e balançou a cabeça negativamente, sussurrando. "Deixamos a porta aberta, lembra?"
Ele estava certo. Meu rádio começou a chiar. Outra ligação da delegacia. Dizendo que precisávamos sair da casa imediatamente. Carol ligara novamente, dizendo que nós iriamos morrer, em uma voz mortificativamente monótona. As batidas pararam, mas podíamos ouvir passos no porão. Algo estava na casa conosco.
Decidimos que aquilo era o suficiente. Tínhamos que sair daquele maldito lugar. Enquanto começávamos a descer as escadas, ouvimos uma voz vindo da cozinha. Carol sai de lá, bloqueando nosso caminho para a porta. Ela parece catatônica, com olhos vazios nos encarando.
"Encontraram ele?" Perguntou, sem nenhum traço em sua voz. "Acho que ele está no porão. Por que não vão checar?"
Beck e eu paramos em choque. Ela apenas continuava a nos encarar, e gesticulando em direção a porta do porão de vez em quando. Os passos lá em baixo era como se alguém corresse em círculos. Ignorando seu pedido, abruptamente passamos por ele e corremos para a porta da frente.
Os reforços ainda não estavam lá, entçao decidimos ir para o carro. Entretanto, antes de chegar no carro.... Vimos alguém descendo a rua, espiando pela janela do lado do motorista. Ele é enorme, vestido no que parece ser um macacão preto. Então parou de olhar a janela e oulhou diretamente para nós. É difícil ver de tão longe, mas o macacão que ia até a cabeça não parecia nem ter buraco para os olhos.
Beck então fala, "Senhor, por favor, afaste-se do veículo." Sua voz falha no meio da frase. Está apavorado.
Assim que Beck termina de falar, a coisa começa a correr em nossa direção. E é rápido. Rápido demais. No momento em que levamos para pegarmos as armas, percebemos que passou por nós e está indo em direção da casa. Não esperamos mais, corremos para o carro, entramos e trancamos as portas, esperando o reforço.
Quando finalmente chegam, somos extensivamente questionados enquanto uma equipe, provavelmente a SWAT, vasculha a residência. Mas não é o chefe da polícia nos interrogando, é um cara de terno que nunca vimos antes. Pergunta coisa como "Quantas portas tinham na casa?" e "Como Carol se parecia, exatamente?" e "Alguma vez vimos um cara com um olho só vagando por aí?" Respondendo inconclusivamente a quase todas. Não tínhamos ideia do que estava acontecendo.
Em dado momento, vemos um membro da SWAT levando várias macas para rua e enfiando-as em um caminhão. Não uma ambulância, não, mas no próprio caminhão deles. Eventualmente, o homem que havia nos questionado nos manda ir para nossa casa e para fazermos nosso relatório na nossa delegacia como sempre. Disse também para que não nos preocupássemos com o que vimos ali.
Não sei como ele acha que isso é possível.
Dirigimos de volta para a delegacia em completo silêncio. Enquanto estacionávamos, Beck finalmente deixou escapar um longo suspiro.
"Jack e muito louco,cara."
Olhei para ele, confuso. "Que? Quem diabos é Jack?"
Ele me responde igualmente confuso. "Como assim? Tô falando do cara dono da casa."
"Que? Era uma moça chamada Carol. Como você já esqueceu?"
Ficamos olhando um para o outro, cada um com um olhar mais caótico... mas não falamos mais nada. Silenciosamente saímos do carro e fizemos nossos caminhos separados para nossas casas. Ambos sabemos que tem algo de muito errado com o outro.
Tentei não pensar muito sobre quando minha cabeça pousou no travesseiro. Consegui ir e vir no sono, até que trés horas depois, fui acordado pelo meu telefone. Ainda meio inconsciente, atendi.
"Precisamos de você. Uma mulher ligou para a delegacia. Disse que tem alguém na casa dela."
Meu coração gelou levemente. Mas congelou quando a mulher me passou o endereço. E a casa de Carol.
Desligo o telefone e deito a cabeça novamente no travesseiro. Eu só quero que esse pesadelo acabe.