Primeira parte do livro. Isso não é o primeiro capitulo, é só uma parte *-* Digam o que vocês acham.
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[SIZE=12pt]❝[/SIZE][SIZE=12pt]Ela caminhou a passos lentos e silenciosos, já havia algumas semanas que não se comunicava com ninguém, alguns dias que faltava água e luz, banho já não era tão frequente. Vestia calças velhas e rasgadas, seus cabelos estavam presos em um coque, com alguns fios soltos e extremamente sujos. Vestia uma camiseta preta, também suja e com alguns buracos, parecia ter se arrastado pelo chão ou se envolvido em uma briga feia e como o mundo estava naqueles dias não duvido nada que tenha sido isso mesmo. [/SIZE]
[SIZE=12pt]Sua respiração funda fazia pouco barulho, nada que chamasse atenção” deles”. Não podia arriscar perder aquele lugar seguro para passar a noite, uma casa aparentemente boa, confortável. A mulher andou pelos cômodos para ter certeza de que não havia algo ou alguém. Era um lugar decente, o único que encontrou em 3 dias de caminhada. Adentrou em um cômodo, um quarto. Em sua mão uma faca de serra, grande e bem afiada, segurou o cabo da mesma de forma bem firme, deu um assovio baixo e na mesma hora viu duas cabeças se levantarem. [/SIZE]
[SIZE=12pt]Ela já estava acostumada com isso, aquele instinto primitivo, aquela sede de sangue e fome de carne insaciáveis, não demorou muito e levantaram do chão partindo em direção ao barulho, em sua direção. Mas sua experiência de meses sobrevivendo a tudo aquilo não a deixou. Ela se posicionou atrás da porta e quando o primeiro entrou no quarto a mesma empurrou a porta rapidamente trancando um para o lado de fora, e outro lá dentro com ela, seus movimentos ágeis e reflexos rápidos a ajudaram e logo uma cabeça podre caiu ao chão seguido de um corpo mastigado e fétido. O outro estava a porta batendo nesta, gemendo como um porco no matadouro, já havia sentido o cheiro dela e agora queria pegá-la. A porta se abriu e a coisa adentrou pelo quarto vagarosamente então ela percebeu que uma de suas pernas era apenas um pedaço de osso do joelho para baixo, pedaços de pano cobriam seu corpo apodrecido. Nem precisou de muito esforço e logo o segundo já estava caído ao chão. [/SIZE]
[SIZE=12pt]Depois de todo o estresse passou os olhos em volta e percebeu que o lugar que estava era um quarto de criança. Talvez duas. Havia um beliche, a cama de cima parecia ter uma colcha com naves espaciais, parecia da cor azul ou verde, mas estava extremamente suja. A de baixo, uma rosa, com alguns desenhos, mas a sujeira não a deixou ver o que realmente eram. Os cadernos de desenho ainda estavam jogados ao chão, agora sujos de sangue e barro. O papel de parede rabiscado de canetinhas coloridas. Uma cômoda, ela abriu a primeira gaveta e viu que estava revirada, como se tivessem pegado algumas coisas de dentro. Uma escrivaninha no canto do quarto com alguns cadernos e livros infantis em cima. A mulher foi andar pela casa, em busca de alguém mais para matar. [/SIZE]
[SIZE=12pt]Desceu as escadas e notou que a sua direita parecia ter uma cozinha, foi em direção a esta. As cadeiras estavam sujas, algumas quebradas e espalhadas pelo chão da cozinha. Os armários entre abertos, com vasilhas, pratos e talheres, alguns destruídos pelo tempo. Seu olhar cansado e faminto vagou pela geladeira, comida estragada e alguns pedaços de carne apodrecidos era o que tinha dentro desta. Uma barra de cereais vencida foi a única coisa que ainda não tinha criado fungos e foi o que ela comeu. [/SIZE]
[SIZE=12pt]Voltou ao quarto das crianças e pegou um ursinho marrom que estava em cima da cama de baixo, abraçou e devolveu pra lá. A janela deixava entrar os primeiros raios de sol. Segundo andar da casa, não havia perigo em dormir um pouco, arrastou os corpos lá de dentro, jogando-os para o primeiro andar. Olhou em sua volta, encostou a porta, posicionando a cômoda na frente desta, caso alguma criatura chegasse ali não conseguiria entrar. [/SIZE]
[SIZE=12pt]Deitou-se no beliche de cima e abraçou o ursinho, porém sem largar sua faca. Seu olhar vago, passeava pelo teto do quarto, janela, suas mãos. Uma lagrima se formou em seu olho esquerdo, escorrendo por sua face rosada, sua mente não parava de funcionar, mas aos poucos o sono foi vencendo o seu choro. Pegou no sono esperando acordar daquele pesadelo.[/SIZE] [SIZE=12pt]❞[/SIZE]